FDA Aprova Primeiro Tratamento Quimioterápico à Base de Taxanos, não de Antraciclina, em Combinação com Herceptin (TCH) para Pacientes com o Cancro da Mama HER2 Positivo em Fase Inicial

30 maio, 2008, 22:48 BST De Cancer International Research Group

EDMONTON, Canadá, May 30 /PRNewswire/ --

- O TCH (Taxotere, Carboplatina, Herceptin) mostrou uma melhoria significativa nos índices de sobrevivência livre de doença (SLD) e sobrevivência global (SG), quando comparado com o AC-T (doxorubicina e ciclofosfamida, seguidas de docetaxel) e uma cardiotoxicidade 5 vezes mais baixa quando comparado com o AC-TH (AC-T + Herceptin) em mulheres a receber terapia auxiliar para o cancro da mama HER2 positivo em fase inicial.

O Cancer International Research Group (CIRG), uma divisão do TRIO (Translational Research in Oncology) anunciou hoje que, com base na sua investigação BCIRG 006, a FDA norte-americana aprovou um novo tratamento que consiste nos agentes quimioterápicos Taxotere (R) (docetaxel) e carboplatina, combinados com Herceptin (R) (trastuzumab) (TCH) para o tratamento adjuvante (pós-cirúrgico) do cancro da mama HER2 (receptor do factor de crescimento epidérmico humano tipo 2) positivo em fase inicial. O regime AC-TH (doxorubicina e ciclofosfamida, seguidas de Taxotere e Herceptin), também analisado na investigação BCIRG 006, foi também aprovado em simultâneo.

Os resultados do ensaio clínico BCIRG 006 mostraram que o regime TCH reduzia o risco da reincidência da doença em um terço (Razão de densidade da doença - RDD=0,67, 95% IC [0,54-0,83], p=0,0003), quando comparado com o grupo de controlo com o AC-T. O tratamento experimental AC-TH reduziu o risco da reincidência da doença em 39% porcento (RDD=0,61, 95% IC [0,49-0,77], p<0,0001), quando comparado com o grupo de controlo com o AC-T.

O benefício do TCH e do AC-TH para a SLD verificou-se independentemente da idade da paciente, da receptividade do tumor às hormonas (condição dos receptores hormonais) ou do facto do cancro ter-se já espalhado para os nódulos linfáticos (condição linfática). Não houve diferenças estatisticamente relevantes na SLD entre os dois grupos de controlo da experiência (TCH e AC-TH).

A SG também melhorou de forma significativa com o regime de TCH, com uma redução em 34% do risco de morte (RDD=0,66, 95% IC [0,47-0,93], p=0,0182), quando comparado com o grupo de controlo com o AC-T. De forma semelhante, o AC-TH foi associado a uma redução em 42% do risco de morte (RDD=0,58 , 95% IC [0,40-0,83], p=0,0024), quando comparado com o grupo de controlo com o AC-T. Não houve diferenças estatisticamente relevantes na SG entre os dois grupos de controlo da experiência (TCH e AC-TH).

Mais ainda, com o regime TCH, o risco de insuficiência cardíaca congestiva foi cinco vezes mais baixo do que aquele observado com o AC-TH (0,4% contra 1,9% contra 0,3% em mulheres tratadas com o TCH, AC-TH e AC-T, respectivamente).

"Os resultados do ensaio BCIRG 006 dão-nos uma nova opção no tratamento do cancro da mama HER2 positivo em fase inicial. Esta abordagem explora as informações mais recentes relativas à alteração do HER2, o que nos permite retirar os excelentes benefícios do Herceptin, ao mesmo tempo que deixamos para trás quase todos os principais efeitos secundários," disse o Professor Dennis Slamon, Professor e Chefe do Serviço de Hematologia-Oncologia da UCLA Los Angeles e membro do CIRG. "O design do BCIRG, embora tenha sido alvo de controvérsia inicialmente, tinha por base evidências pré-clínicas precisas que nos conduziram à testagem de uma nova combinação de medicamentos para o cancro da mama."

Sobre o BCIRG 006

O BCIRG 006 foi um estudo multicentral, de fase III, conduzido pelo CIRG e patrocinado por sanofi-aventis (Paris, França) com o apoio adicional da Genentech (do Sul de São Francisco, EUA).

Delineamento do estudo

3222 mulheres com cancro da mama HER2 positivo e nódulo positivo e com cancro da mama de alto risco com nódulo negativo, em ambos os casos operáveis, foram inscritas e aleatoriamente distribuídas por um dos seguintes tratamentos:

    
    - AC-T (n=1.073), o regime de controlo contendo antraciclina, que
      consistia em doxorubicina (A, 60 mg/m2) mais ciclofosfamida 
      (C, 600 mg/m2), de três em três semanas durante quatro ciclos, seguido 
      de Taxotere (R) (T, 100 mg/m2) de três em três semanas durante quatro 
      ciclos.

    - AC-TH (n=1,074), o regime de controlo experimental contendo
      antraciclina, que consistia em AC de três em três semanas durante quatro
      ciclos, seguido de Taxotere (R) (T, 100 mg/m2) de três em três semanas
      durante quatro ciclos, mais Herceptin (R) (H, 4 mg/kg de dose de ataque,
      seguida de 2 mg/kg por semana em conjunto com T) e depois monoterapia com
      Herceptin (R) (6 mg/kg de três em três semanas), de forma a completar 
      um ano de tratamento com Herceptin (R).

    - TCH (n=1,075), o regime de controlo experimental, não contendo
      antraciclina, que consistia em Taxotere (R) (T, 75 mg/m2) mais 
      carboplatina (C; AUC 6mg/mL/min) de três em três semanas durante seis 
      ciclos, mais Herceptin (R) (H, 4 mg/kg de dose de ataque, seguida de 
      2 mg/kg por semana em conjunto com TC), e depois monoterapia com 
      Herceptin (R) (6 mg/kg de três em três semanas), de forma a completar 
      um ano de tratamento com Herceptin (R).

O objectivo final da investigação era comparar a sobrevivência livre de doença (SLD) de cada regime experimental (TCH ou AC-TH) com a quimioterapia padrão, baseada na antraciclina (AC-T).

Os objectivos secundários incluíam a avaliação da sobrevivência geral (SG) e toxicidade cardíaca. A primeira análise (considerada como a primária) foi apresentada no SABCS em 2006 e os resultados actualizados foram comunicados no SABCS em 2007.

Resultados de eficácia

A SLD melhorou de forma significativa em cerca de um terço (33 porcento) no grupo de controlo com o tratamento TCH (RDD=0,67, 95% IC [0,54-0,83], p=0,0003) e 39% porcento (RDD=0,61, 95% IC [0,49-0,77], p<0,0001) no grupo de controlo com o AC-TH, quando comparados com o grupo com o AC-T. O benefício do TCH e do AC-TH para a SLD verificou-se independentemente da idade da paciente, da receptividade do tumor às hormonas (condição dos receptores hormonais) ou do facto do cancro ter-se já espalhado para os nódulos linfáticos (condição linfática). Não houve diferenças estatisticamente relevantes na SLD entre os dois grupos de controlo da experiência (TCH e AC-TH).

A SG também melhorou de forma significativa com o regime de TCH, com uma redução em 34% do risco de morte (RDD=0,66, 95% IC [0,47-0,93], p=0,0182), quando comparado com o grupo de controlo com o AC-T. De forma semelhante, o AC-TH foi associado a uma redução em 42% do risco de morte (RDD=0,58 , 95% IC [0,40-0,83], p=0,0024), quando comparado com o grupo de controlo com o AC-T. Não houve diferenças estatisticamente relevantes na SG entre os dois grupos de controlo da experiência (TCH e AC-TH).

Tolerância

O efeito secundário mais comum foi neutropenia febril, de grau 3-4 (AC-T: 9,1%, AC-TH: 11,0%, TCH: 9,8%). Outros sintomas adversos comuns de grau 3-4 incluíram diarreia (3,0% no grupo com AC-T, 5,1% no grupo com AC-TH e 4,9% no grupo com TCH) e infecção sem neutropenia (7,0% no grupo com AC-T, 5,5% no grupo com AC-TH e 3,6% no grupo com TCH)

A incidência cumulativa ao longo de 3 anos de complicações cardíacas sintomáticas e insuficiência cardíaca congestiva (0,3%, 1,9% , e 0,4% para AC-T, AC-TH e TCH, respectivamente) foi mais baixa no grupo TCH quando comparado com o grupo AC-TH.

Sobre o Cancer International Research Group (CIRG) e o Translational Research in Oncology (TRIO)

O CIRG é uma organização de investigação com fins não lucrativos com dependências em Paris, França e Alberta no Canadá. Com uma rede internacional de 2000 investigadores e 450 centros de cancro em 45 países diferentes, o CIRG levou a cabo inúmeros estudos globais novos e inovadores que avaliam a terapia sistémica para o cancro. Recentemente, o CIRG associou-se à rede de investigação, com sede na UCLA, Translational Oncology Research International, para formar a TRIO (Translational Research in Oncology). Para além de uma rede de investigadores dedicados e serviços de ensaios clínicos, a TRIO também inclui os laboratórios Slamon/TRIO na UCLA. Slamon e cientistas parceiros desenvolveram e adaptaram modelos pré-clínicos que permitem a validação de marcadores moleculares, a avaliação pré-clínica de novos agentes biológicos e a caracterização dos mecanismos de acção de um agente. Este trabalho pré-clínico, por sua vez, gera as hipóteses clínicas para os ensaios futuros do grupo sobre o cancro em pacientes. Esta abordagem translacional foi aquela utilizada no BCIRG 006.

A TRIO dedica-se ao avanço da pesquisa translacional sobre o cancro ao trazer terapêuticas inovadoras e precisas à prática clínica.

Informação adicional está disponível na Internet em http://www.trioncology.org

Web site: http://www.trioncology.org

FONTE Cancer International Research Group