Ramos Horta Apresenta Estabilidade Perante a Oposição Confusa

17 abr, 2007, 01:06 BST De East Timor - Jose Ramos Horta

DILI, Timor Leste, April 16 /PRNewswire/ --

A segunda volta da eleição presidencial está marcada para começar em Timor Leste. Entre graves preocupações sobre a integridade da contagem dos votos na primeira volta, começam a surgir graves fracturas nas bases da Fretilin. O candidato Francisco <<Lu'Olo>> Guterres enfrenta uma corrida a par com o popular Primeiro-Ministro e laureado com o Prémio Nobel, Dr. José Ramos Horta na segunda volta, mas Guterres parece secundarizado pelo próprio partido.

Os resultados da primeira volta abalaram profundamente o regime da Fretilin, já que o partido se gabara inicialmente, a 7 de Abril, da sua confiança absoluta numa vitória rotunda. A realidade esteve longe das suas expectativas, porque o povo de Timor Leste votou com o coração e a consciência para pôr termo à governação do partido, cujo mandato no governo está marcado pela violência e a inacção.

Os mais de 70 por cento de votantes a votarem contra a Fretilin constituem uma claro sinal da atitude do povo de Timor Leste para invocar o seu direito democrático de mudar o governo.

A desestabilização do partido está claramente evidente, visto que o candidato Lu'Olo é cada vez mais marginalizado como porta-voz de Mari Alkatiri, o ex-Primeiro Ministro obrigado a demitir-se em 2006, por causar o alastramento da violência devido à má governação. Numa tentativa desesperada para ganhar apoiantes, Alkatiri assumiu o comando montando uma campanha por rádio para promover o seu partido e o seu candidato, o que evidencia falta de confiança interna no candidato presidencial do partido, Lu'Olo. As declarações de Alkatiri tornaram-se assim cada vez mais inconsistentes e reflectem um partido em crise.

A 12 de Abril , Mari Alkatiri emitiu um comunicado à imprensa declarando: <<A Fretilin congratula as Forças de Segurança e Defesa Internacional, que de uma maneira ética e eficiente, garantiram a Lei e a Ordem., ao fazê-lo demonstraram que o nosso país ainda precisa, durante algum tempo, da sua presença de forma a consolidar a estabilidade e a paz e a desenhar o caminho irreversível para a democracia.>>

Contudo cinco dias antes ( a 7 de Abril de 2007, sábado) numa entrevista ao jornal português, Público, declarou:

<<As forças militares estrangeiras devem abandonar o país depois das legislativas e não ficarem mais a partir desse momento. Então a GNR será suficiente>>. Uma total contradição na política.

Esta entrevista levou o jornalista Paulo Moura, a concluir que <<embora Mari Alkatiri não seja um candidato presidencial, é a principal figura da Fretilin. Desacreditado na crise de 2006, demitiu-se da liderança do governo. O seu plano é regressar, contando com um Lu'Olo obediente, que ele acredita que vai ganhar as eleições, amanhã, na primeira volta.>>

Na mesma entrevista, Alkatiri defende o seu papel na propagação da democracia em Timor Leste, embora admitindo contratar os serviços dos consultores da campanha de Moçambique, treinados nas tácticas das campanhas de <<um só partido>>, sob o governo da Frelimo em Moçambique. A FRELIMO estabeleceu um governo de um só partido em Moçambique, baseado nos princípios Marxistas de 1974, depois da independência de Portugal. A Frelimo governou em Moçambique até 1994, quando foi instaurado um sistema pluripartidário após uma brutal guerra civil.

O Marxismo parece ser um elo de ligação da Fretilin com o Partido Comunista Português que declarou publicamente o seu apoio ao partido nas eleições, tanto através da agência Lusa como no Website do Partido Comunista Português (www.pcp.pt/english) que diz:

<<O PCP reitera ao povo de Timor Leste e ao seu governo legítimo a sua solidariedade na luta para consolidar a sua soberania e pelos progresso social e confirma á FRETILIN, a grande força de resistência e libertação, a amizade e solidariedade dos comunistas portugueses.>>

Reflectindo sobre os recentes acontecimentos, o Primeiro Ministro José Ramos Horta comentou: <<Mais preocupante do que as inconsistentes plataformas de política, um sinal de fracasso rotundo e das óbvias lutas pelos poder dentro do partido é o arrogante direito da Fretilin de comandar mentalmente.>>

<<Alkatiri declara frequentemente em entrevistas (duas vezes, no recente artigo do Público) que, <Quem libertou o país tem direito de comandá-lo>. Alkatiri esquece, obviamente que uma democracia não é comandada, é governada pela vontade do povo através das urnas de votos. Mais importante é o facto de não dar crédito à verdadeira entidade responsável pela libertação de Timor,os próprios cidadãos que lutaram pela independência. É a esses espírito valentes que muito sofreram nos anos de ocupação e são esses os heróis de todos os dias que votaram pela sua liberdade. É esse povo que tem o direito de comandar o seu próprio futuro e de usar os seus direitos democráticos para votarem por um novo governo, uma mudança, o desenvolvimento, o emprego e a prosperidade. Tem o direito de votar para um Presidente e um governo que se empenhe na erradicação da pobreza e na melhoria da sua vida. Para devolver ao povo não só o respeito não só o respeito por si próprio, mas também pelo seu país.>>

    
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FONTE East Timor - Jose Ramos Horta