Crime organizado avança sobre mercado ilegal de cigarros; Seminário na Fiesp discute enfrentamento
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Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP)30 jun, 2026, 11:02 GMT
SÃO PAULO, 30 de junho de 2026 /PRNewswire/ -- Entre janeiro e abril deste ano, a Receita Federal apreendeu 36 milhões de cigarros, o produto recordista do contrabando, 32 milhões de produtos variados, como roupas e itens de uso doméstico, 2 milhões de eletroeletrônicos e quase 600.000 medicamentos.
Foi para discutir o enfrentamento a esse crime que a FIESP, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, recebeu o Seminário Brasil Legal.
Foram cinco painéis sobre temas como novas tecnologias para garantir a rastreabilidade de produtos e os desafios do mercado legal brasileiro.
O que mais preocupa, no entanto, é a infiltração do crime organizado no mercado de produtos ilegais, dificultando ainda mais o combate a organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho.
"O PCC (Primeiro Comando da Capital), que controla algumas rotas do comércio ilegal, hoje acaba 'prestando serviço' até para setores que atuam legalmente. O comércio eletrônico foi invadido pela pirataria, e a presença cada vez mais forte do crime organizado nos impõe um grande desafio", afirma Valmir Dantas, secretário-executivo do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, órgão ligado ao Ministério da Justiça.
No mercado ilegal de cigarros, as organizações criminosas obtêm receita anual estimada em R$ 10,3 bilhões. O valor equivale a cerca de dois terços de toda a receita gerada pelo tráfico de cocaína no país, evidenciando a relevância do setor como fonte de financiamento do crime organizado.
A pesquisa Ipsos-Ipec de 2025, encomendada pelo Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) e considerada um raio-X do mercado ilegal de cigarros no Brasil, aponta que 31% do setor já está sob domínio das organizações criminosas.
Somente no último ano, as facções fizeram circular aproximadamente 32 bilhões de cigarros ilegais em território nacional. Além de fortalecer financeiramente o crime organizado, o mercado ilegal provoca impactos expressivos para os cofres públicos. Nos últimos 11 anos, a evasão fiscal relacionada ao setor de cigarros já acumula perdas de R$ 110 bilhões.
"O crime organizado está se fortalecendo com o financiamento do mercado ilegal de cigarros e agindo cada vez mais como máfias, infiltrando-se no poder público e no mercado financeiro com fintechs para lavagem de dinheiro. Então, nós temos que buscar cada vez mais a inteligência, a identificação desses recursos para conter o crescimento da criminalidade em nosso país. Isto é fundamental e é o que nós temos discutido permanentemente com a esfera pública", afirma Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP).
FONTE Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP)
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