Investir em saúde e inovação é investir no crescimento da América Latina
Autoridades de saúde da Colômbia, da Argentina e do Panamá, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a FIFARMA concordaram, em Washington, EUA, que a inovação que chega a tempo ao paciente é um dos investimentos estratégicos com maior retorno social e econômico para a região.
WASHINGTON, 2 de outubro de 2026 /PRNewswire/ -- Cada ano que uma pessoa vive com boa saúde é um ano em que ela pode trabalhar, estudar, cuidar da família e contribuir com a sua comunidade. Foi com essa ideia que se realizou o fórum O investimento em saúde como prioridade na América Latina e no Caribe, organizado pelo Adrienne Arsht Latin America Center do Atlantic Council e pela Federação Latino-Americana da Indústria Farmacêutica (FIFARMA), no âmbito do Conselho Diretor da OPAS.
O encontro reuniu Ana María Vesga, ministra da Saúde daColômbia; o Dr. Manuel Zambrano, vice-ministro da Saúde doPanamá; o Dr. Saúl Flores, secretário de Gestão de Saúde Pública do Ministério da Saúde da Argentina; o Dr. Jarbas Barbosa, diretor da OPAS; e Yaneth Giha, diretora executiva daFIFARMA. A conversa se concentrou em como a América Latina e o Caribe podem priorizar a saúde como um investimento em capital humano, produtividade e crescimento, em um contexto de restrições fiscais, envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas.
Do custo de investir ao valor de investir bem
Os participantes concordaram que investir mais em saúde é importante, mas não suficiente. O desafio é investir melhor, em intervenções capazes de melhorar a saúde da população e reduzir os custos futuros associados à doença e à incapacidade.
Um estudo de carga socioeconômica desenvolvido pelo WifOR para a FIFARMA estimou que sete doenças em oito países da região geraram perdas equivalentes, em média, a cerca de 3,9% do PIB em 2022.
"Os investimentos sociais são valorizados ao longo do tempo, mas os governos planejam em períodos de quatro anos, e aí está o dilema. A inovação em saúde é menos tangível que uma obra e, quando não vemos algo construído, sentimos que nada está acontecendo. Por isso, também precisamos falar do custo de não investir", afirmou Yaneth Giha, diretora executiva da FIFARMA.
"A pandemia demonstrou que, se a saúde não funciona, a economia não funciona. Não investir tem um impacto econômico e social enorme. Por isso, devemos priorizar os investimentos com maior retorno para a economia e a sociedade, começando pela prevenção e pela atenção primária", afirmou o Dr. Jarbas Barbosa, diretor da OPAS.
Prevenir, detectar e tratar a tempo
Uma das mensagens centrais do encontro foi a necessidade de adotar uma visão de longo prazo. A prevenção e a atenção primária são fundamentais, mas devem incluir diagnóstico precoce, tratamento oportuno e acesso a tecnologias em saúde que agreguem valor.
Os investimentos em atenção primária e em programas preventivos podem melhorar a eficiência e os resultados em saúde. A prevenção, a saúde infantil, a vacinação e o diagnóstico precoce estão entre os investimentos cujo valor pode ser subestimado quando as decisões orçamentárias se concentram exclusivamente no curto prazo.
A inovação gera valor quando chega a tempo ao paciente
A inovação farmacêutica e as tecnologias em saúde são outra peça dessa estratégia. Os novos tratamentos podem evitar complicações, reduzir hospitalizações e permitir que as pessoas continuem trabalhando e cuidando de suas famílias. Esse benefício só se concretiza quando o tratamento está disponível. Segundo o FIFARMA W.A.I.T. Indicator 2026, na América Latina passam-se, em média, 5,7 anos desde que um medicamento inovador é aprovado nos Estados Unidos ou na Europa até que esteja plenamente disponível para os pacientes da região. São anos em que os pacientes e os sistemas de saúde deixam de receber esse valor.
A visão dos governos
As autoridades da Colômbia, da Argentina e do Panamá compartilharam como seus países priorizam o investimento em saúde e abrem espaço para intervenções capazes de gerar valor no longo prazo.
"A imunização ao longo da vida está entre as decisões mais custo-efetivas. Também precisamos de dados que permitam medir como o investimento em saúde se traduz em produtividade e em uma melhor abordagem da carga de doença no longo prazo. Devemos encontrar mecanismos que contenham os custos sem frear a inovação nem limitar o seu acesso, para alcançar um acesso real e sustentável", afirmou Ana María Vesga, ministra da Saúde da Colômbia.
"A política pública em saúde não se pensa apenas nos quatro anos de uma gestão, mas em horizontes de 10, 15 e 20 anos. O que não fizermos hoje, pagaremos no futuro. E o melhor investimento continua sendo a prevenção, cuidar para que as pessoas não adoeçam", afirmou o Dr. Saúl Flores, secretário de Gestão de Saúde Pública do Ministério da Saúde da Argentina.
"Precisamos passar do conceito de gasto em saúde para o de investimento em saúde. Para isso, é preciso traduzir os dados em números, porque essa é a linguagem dos ministérios da Economia e da Fazenda, e assim explicar a eles o benefício de investir agora", afirmou o Dr. Manuel Zambrano, vice-ministro da Saúde do Panamá.
Alianças com objetivos comuns
Os participantes destacaram a necessidade de avançar em direção a alianças entre governos, organismos multilaterais, academia, sociedade civil e setor privado orientadas a resultados, em áreas como sistemas de informação, geração de evidências, planejamento antecipado de tecnologias e digitalização. Nesse contexto, a OPAS propôs avançar para um investimento público em saúde de pelo menos 6% do PIB, acompanhado de maior eficiência e melhor alocação de recursos.
Como proposta concreta, sugeriu-se que os ministérios da Saúde e da Fazenda construam conjuntamente estratégias plurianuais de investimento vinculadas a resultados em saúde, capital humano e produtividade. "Para defender a inovação nas decisões orçamentárias, precisamos, em primeiro lugar, de mais e melhores dados; em segundo, de um diálogo persistente e consistente entre todos os atores; e, em terceiro, construir pensando no longo prazo. Se, na região, formos capazes de nos dar esse tempo, poderemos convencer quem aloca os recursos de que investir em saúde é investir no desenvolvimento", concluiu Yaneth Giha.
A gravação completa do fórum está disponível em: https://www.youtube.com/@AtlanticCouncilUS/streams
Sobre a FIFARMA
A Federação Latino-Americana da Indústria Farmacêutica (FIFARMA) reúne e representa a indústria farmacêutica de pesquisa e inovação na América Latina. Por meio de seus quatro pilares estratégicos —Políticas de Saúde, Valor e Acesso à Inovação, Boas Práticas Regulatórias e Farmacovigilância, e Alianças Estratégicas—, a FIFARMA promove a construção de pontes entre governos, academia, sociedade civil e setor privado para acelerar o acesso equitativo e sustentável à inovação em saúde na região.
Sobre o Adrienne Arsht Latin America Center do Atlantic Council
O Adrienne Arsht Latin America Center do Atlantic Council é um centro apartidário que, desde 2013, promove uma melhor compreensão das transformações da América Latina e do Caribe e de sua relevância no mundo, com propostas orientadas a resultados que orientam a ação de governos, empresas e organismos multilaterais para construir um futuro mais próspero para as Américas.
FONTE Fifarma
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