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Mercado ilegal bate recorde e impõe ao Brasil prejuízo de quase meio trilhão


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FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade)

11 mar, 2026, 12:00 GMT

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Perdas chegam a R$ 473,2 bilhões e atingem 15 setores da economia; avanço fortalece o crime organizado e pressiona arrecadação

SÃO PAULO, 11 de março de 2026 /PRNewswire/ -- O mercado ilegal no Brasil atingiu, em 2025, o maior patamar da série histórica e já registra cifras próximas de meio trilhão de reais por ano. Levantamento do FNCP - Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade - aponta que as perdas provocadas por contrabando, falsificação e pirataria somaram R$ 473.196.625.000 no último ano, considerando 15 setores produtivos. O montante inclui R$ 326,3 bilhões em perdas diretas da indústria e R$ 146,8 bilhões em evasão fiscal.

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Em 2020, o prejuízo era de R$ 288 bilhões. Em cinco anos, o avanço foi de 64%, o que representa um salto superior a R$ 185 bilhões. Em uma década, as perdas mais que quadruplicaram – um crescimento que consolida o mercado ilegal como um dos principais vetores de desequilíbrio econômico e concorrência desleal no país.

Perdas por setores  
O impacto se espalha por diferentes cadeias produtivas. Entre os setores mais afetados estão vestuário (R$ 87,3 bilhões), bebidas alcoólicas (R$ 83,2 bilhões), combustíveis (R$ 29 bilhões), higiene pessoal (R$21bilhões), perfumaria e cosméticos (R$ 21 bilhões), defensivos agrícolas (R$ 20,6 bilhões), Ouro (12,7 bilhões), TV por Assinatura (R$12,1 bilhões), Óculos (R$11,4) e Cigarros (R$ 10,5 bilhões).

Os efeitos vão muito além da concorrência desleal e do impacto na economia formal. A expansão da ilegalidade corrói a arrecadação tributária, limita a capacidade de investimento público em áreas essenciais e, principalmente, fortalece as estruturas do crime organizado.

"Estamos diante de um problema estrutural, que vai muito além dos efeitos econômicos. A combinação de alto lucro e baixo risco tem ampliado o interesse das organizações criminosas pelo mercado ilegal, que hoje funciona como importante fonte de financiamento dessas redes. Trata-se de esquemas que alimentam o caixa das facções, sustentam estruturas armadas, viabilizam a expansão de suas operações e reforçam o controle territorial em diversas regiões do país", afirma Edson Vismona, presidente do FNCP.

Cigarro ilegal: principal produto apreendido e caixa registradora do crime

Um levantamento inédito do Instituto Ipsos Ipec mostra a posição estratégica do cigarro – item mais apreendido pela Receita Federal - nesse cenário da ilegalidade. De acordo com a pesquisa, em 2025 as facções criminosas fizeram circular cerca de 32 bilhões de unidades de cigarros ilegais no Brasil, gerando movimentação de R$10 bilhões para o crime organizado. Só em evasão fiscal foram R$ 8.5 bilhões. Hoje, três de cada dez cigarros vendidos no país (31%) são ilegais, o que evidencia não apenas a dimensão econômica do problema, mas seu impacto direto sobre a arrecadação, a concorrência formal e a segurança pública. A terceira marca mais vendida do Brasil atualmente é uma marca contrabandeada do Paraguai o Eight com 10% do mercado Brasileiro.

A lógica é simples: trata-se de uma mercadoria de alta demanda, fácil transporte, ampla capilaridade de distribuição e margens elevadas, especialmente quando associada à evasão fiscal. Essa combinação de lucro rápido e risco relativamente menor, se comparado a outros ilícitos, torna o cigarro ilegal extremamente atraente para as organizações criminosas.

Dados da Receita Federal reforçam o avanço da ilegalidade: entre janeiro de 2026 e o mesmo mês de 2025, o valor das apreensões aumentou 22%. Apenas em janeiro deste ano, foram retidos R$ 61,5 milhões em maços ilegais em todo o país – um montante que evidencia não só a escala, mas também o grau de organização e sofisticação dessas operações.      

Foto - https://mma.prnewswire.com/media/2930881/Picture1_FNCP.jpg

FONTE FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade)

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