Estudo da FGV identifica potencial do Brasil para se tornar um hub global de infraestrutura digital
Relatório estima que a expansão da infraestrutura digital do Brasil poderia criar mais de 230.000 empregos permanentes e atrair mais de US$ 698 bilhões em investimentos
BRASÍLIA, Brasil, 8 de julho de 2026 /PRNewswire/ -- O Brasil tem as vantagens estruturais para se tornar um dos principais hubs de infraestrutura digital do mundo na era da inteligência artificial (IA), de acordo com o Estudo sobre o Impacto Socioeconômico do Estabelecimento do Brasil como Hub Internacional de Infraestrutura Digital na Era da IA, desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido da Scala Data Centers e da Norgás. O estudo examina o impacto econômico da expansão da infraestrutura digital em todo o país e identifica os fatores que moldam a competitividade do Brasil no mercado global.
Segundo o relatório, a matriz energética predominantemente renovável do Brasil, sua localização geográfica estratégica, o amplo mercado interno e a crescente demanda por serviços de computação em nuvem e inteligência artificial posicionam o país como um forte candidato a receber investimentos globais em infraestrutura digital.
O estudo projeta ganhos econômicos substanciais. No cenário mais ambicioso, o Brasil expandiria sua capacidade instalada de infraestrutura digital de aproximadamente 1 GW para 13,7 GW até 2035, criando mais de 230.000 empregos permanentes. Desses, cerca de 59.700 empregos diretos dariam suporte às operações dos data centers, enquanto aproximadamente 176.500 empregos indiretos e induzidos seriam gerados ao longo da cadeia de suprimentos e da economia em geral. Esses números refletem apenas os empregos operacionais permanentes e excluem os empregos temporários gerados durante a construção e o desenvolvimento dos projetos.
O relatório também estima que a adição de 12,7 GW de nova capacidade atrairia entre US$ 431,8 bilhões e US$ 698,5 bilhões em investimentos totais (aproximadamente R$ 2,3 trilhões a R$ 3,7 trilhões). Esses investimentos financiariam tanto a infraestrutura física, incluindo aquisição de terrenos, construção civil, sistemas elétricos, equipamentos mecânicos e de resfriamento, infraestrutura predial e sistemas de segurança, quanto equipamentos de tecnologia da informação, como servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos de rede e aceleradores de IA.
A FGV baseou sua análise em um modelo de matriz insumo-produto, que mede como os investimentos se propagam por diversos setores da economia. Em vez de considerar os data centers apenas como infraestrutura tecnológica, o estudo os identifica como um catalisador do desenvolvimento econômico. A construção e a operação dessas instalações estimulam uma ampla cadeia de valor que inclui energia elétrica, construção, telecomunicações, logística, engenharia e serviços técnicos especializados.
De acordo com o estudo, o impacto do setor vai muito além da fase de construção. Os data centers impulsionam ganhos de longo prazo em produtividade, desenvolvimento da força de trabalho, crescimento econômico regional e atividade empresarial em diversos setores.
"O estudo utiliza um modelo de matriz insumo-produto para captar os efeitos diretos, indiretos e induzidos dos investimentos em infraestrutura digital, permitindo medir como esses projetos ativam cadeias produtivas inteiras", afirmou Charles Schramm, gerente executivo de projetos da FGV. "Nossas conclusões mostram que os benefícios econômicos vão muito além do setor de tecnologia, gerando ganhos significativos em emprego, renda e produção em toda a economia."
O relatório também avalia comparativamente o Brasil a hubs globais consolidados de infraestrutura digital, incluindo Virgínia (EUA), Singapura, Dubai, Japão, Portugal, Canadá e o cluster FLAP-D (Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin), avaliando cada mercado sob as perspectivas tecnológica, econômica, energética e regulatória.
Para fortalecer a competitividade do Brasil e liberar todo o seu potencial, o estudo identifica diversas prioridades, incluindo maior coordenação institucional, um marco regulatório estável e maior previsibilidade no planejamento energético, alinhando a expansão da rede elétrica à nova demanda por infraestrutura digital.
O relatório também conclui que a elevada carga tributária brasileira sobre equipamentos e serviços compromete a competitividade global do país ao aumentar o custo de incorporar tecnologias avançadas e capacidade produtiva.
Para enfrentar esses desafios, a FGV propõe uma agenda composta por quatro frentes:
- Políticas industriais que incentivem a fabricação nacional de hardware;
- Reconhecimento dos data centers como infraestrutura estratégica para o setor elétrico brasileiro, no qual o acesso à rede e os custos de energia influenciam diretamente a viabilidade econômica dos projetos;
- Um marco legal estável para incentivos fiscais; e
- Coordenação regulatória que alinhe as políticas industrial, energética, tributária e de governança digital sob uma estratégia nacional comum.
O estudo também identifica iniciativas como Redata, a redução dos impostos estaduais de importação atualmente em análise pelo Confaz, os incentivos Ex-Tarifário e as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) como instrumentos complementares capazes de reduzir a diferença competitiva do Brasil em relação a outros hubs globais e atrair mais investimentos em infraestrutura digital.
A FGV também recomenda a criação de um órgão nacional de coordenação que reúna os governos federal, estaduais e municipais, reguladores do setor e a iniciativa privada para eliminar sobreposições de responsabilidades, reduzir os prazos dos projetos e oferecer maior previsibilidade para futuros investimentos em infraestrutura digital.
Segundo o relatório, o crescimento do Brasil como um hub global de infraestrutura digital dependerá de sua capacidade de fortalecer o ambiente de negócios, ampliar a conectividade e proporcionar segurança de longo prazo aos investidores. À medida que a demanda por infraestrutura para IA continua a acelerar em todo o mundo, os países que conseguirem alinhar esses fatores estarão mais bem posicionados para atrair investimentos, desenvolver ecossistemas industriais e fortalecer seu papel na economia digital global.
"Os principais mercados de infraestrutura digital do mundo, especialmente os Estados Unidos e a Europa, enfrentam restrições crescentes para expandir sua capacidade, incluindo disponibilidade limitada de energia, desafios de interconexão à rede elétrica e escassez de terrenos adequados para novos empreendimentos, mesmo com a contínua aceleração da demanda por processamento de dados e inteligência artificial", afirmou Luciano Fialho, vice-presidente sênior corporativo da Scala Data Centers. "Essas restrições criam uma oportunidade para o surgimento de novos hubs globais. O Brasil oferece uma combinação rara de ampla disponibilidade de energia, matriz elétrica predominantemente renovável, significativo potencial de expansão, abundância de terras e forte conectividade com as principais rotas internacionais de dados. Se o país agir agora, poderá atrair investimentos em uma escala sem precedentes, criar empregos de alta qualidade e consolidar-se como um dos principais hubs globais de infraestrutura digital."
Sobre a Scala Data Centers
A Scala Data Centers é a principal plataforma de data centers sustentáveis em hiperescala da América Latina. Com o apoio da DigitalBridge, a empresa já investiu mais de R$ 12 bilhões e administra aproximadamente 300 MW de capacidade instalada e em desenvolvimento, sustentada por um landbank de mais de 12 milhões de metros quadrados. A Scala também possui mais de 7,1 GW de capacidade de energia reservada para futuras expansões, fornecida integralmente por fontes certificadas de energia renovável.
FONTE Scala Data Centers
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