2014

Dados de um ano do registro global de fibrilação atrial (FA) mostram que agentes antitrombóticos não são usados de maneira ideal na prevenção do AVC -- Apresentações do Registro GARFIELD no CONGRESSO ESC 2013 fornecem resultados dos padrões de tratamento no mundo real das populações FA em risco --

AMSTERDÃ, 3 de setembro de 2013 /PRNewswire/ --  Os resultados dos dados de um ano do primeiro coorte do Global Anticoagulant Registry in the FIELD (Registro Global de Anticoagulante em Campo) (GARFIELD), uma iniciativa inovadora de pesquisa acadêmica independente, fornecem perspectivas sobre o elevado risco de AVC (acidente vascular cerebral) entre subpopulações de pacientes com fibrilação atrial (FA). As descobertas, a partir de oito resumos apresentados esta semana no Congresso ESC 2013, mostram coletivamente que a terapia anticoagulante – conhecida por diminuir significativamente o risco de AVC nos pacientes com FA – é consistentemente subutilizada entre os pacientes com FA em risco.

O GARFIELD é conduzido por um comitê diretor internacional sob os auspícios do Thrombosis Research Institute (Instituto de Pesquisas sobre a Trombose), TRI, Londres. É um estudo internacional, de observação, multicêntrico e prospectivo, projetado para entender o fardo global da FA, uma condição comum na qual as duas câmaras superiores do coração (os átrios) tremem em vez de bater ritimadamente, e pode provocar complicações que põem em risco a vida, incluindo AVC. Até 2% da população sofre de FA. (1) Apesar da disponibilidade de tratamentos preventivos altamente eficazes, o AVC relacionado com FA continua a ser um grande e crescente fardo clínico e social.

"Estes dados de um ano do GARFIELD ilustram que as orientações de prevenção do AVC baseadas em evidências não estão sempre sendo seguidas na prática clínica diária", disse o Professor, Lorde Ajay Kakkar, Professor de Cirurgia da University College London e Diretor do TRI, Londres, Reino Unido. "Juntas, estas novas descobertas reenfatizam aquilo que foi observado em ensaios clínicos sobre o risco de AVC em pacientes com FA. A pesquisa sugere que há oportunidades para melhorar os resultados dos pacientes através da aplicação mais consistente das melhores práticas e adoção das várias terapias inovadoras para prevenir AVCs em pacientes de FA com alto risco".

Os dados apresentados no Congresso ESC de 2013 são do primeiro de cinco coortes GARFIELD. O primeiro coorte inclui um total de 10.614 pacientes com FA não-valvar e no mínimo um fator de risco adicional de AVC determinado pelo investigador, recrutados de 540 locais selecionados aleatoriamente em 19 países. Destes pacientes, 5.089 foram recrutados retrospectivamente como coorte de validação e 5.525 foram recrutados prospectivamente e formam as populações estudadas nestes resumos. As Orientações da ESC (Sociedade Europeia de Cardiologia) para o controle da fibrilação atrial recomendam que todos os pacientes com alto risco de AVC recebam prescrição de terapia anticoagulante com antagonistas da vitamina K (VKAs), a menos que haja contraindicações. Alto risco de AVC é definido como uma classificação >/=2 na classificação de risco CHA2DS2-VASc. A linha de base reportada anteriormente mostrou que no Coorte 1, 82,6% dos pacientes possuíam classificação CHA2DS2-VASc >/=2 mas somente 62% destes pacientes receberam terapia anticoagulante.

Dados da pesquisa de estratificação do risco de AVC, apresentados no Congresso ESC 2013, estavam disponíveis para 5.523 pacientes inscritos prospectivamente entre dezembro de 2009 e outubro de 2011.

Os dados de 1 ano – os quais são preliminares e devem ser interpretados com cuidado – foram incluídos em uma apresentação oral e em sete resumos apresentados em cartazes. A apresentação oral foi feita na sessão State of the Art: Acute coronary syndromes - current guidelines and future prospects (Estado da Arte: Síndromes coronarianas agudas – orientações atuais e perspectivas futuras), que destacou os quatro resumos melhores classificados neste tópico.

Os destaques dos dados, que foram ajustados por causa de fatores de confusão relevantes, incluem:

Apresentação Oral

  • Uso significativamente mais baixo de VKAs em pacientes de FA com síndrome coronariana aguda (SCA) contra pacientes sem SCA (48,9% contra 51,7%, respectivamente) apesar de risco comparável de morte por qualquer causa, AVC/embolia sistêmica (ES), hemorragia e SCA recorrente depois de 1 ano
    • 10,1% (n=559) dos pacientes tinham histórico de SCA, 44,0% (n=246)  dos quais tinham histórico de uso de stent

Apresentação em Cartazes

  • Perfil de risco mais alto e uso mais frequente de terapia antitrombótica em pacientes com FA os quais sofreram anteriormente AVC ou ataque isquêmico transitório (AIT)
    • Os pacientes com FA com AVC/AIT anteriores possuíam um risco de morte aumentado de 44% (HR* 1,44, p=0,037) e estavam mais do que duas vezes propensos a sofrerem AVC/ES (HR 2,27, p=0,004) dentro de um ano do diagnóstico do que os pacientes que não sofreram AVC/AIT anteriormente
    • Mais pacientes com FA com AVC/AIT anteriores receberam VKAs (58,1% contra 50,5% para pacientes sem AVC/AIT anterior), apesar destes anticoagulantes terem sido significativamente subutilizados em ambos os grupos
  • Risco de morte mais baixo em pacientes com FA que recebem controle de ritmo (uso de medicação para restaurar o ritmo cardíaco normal) contra controle da frequência (uso de medicação para diminuir a frequência cardíaca para mais perto do normal)
    • Entre os pacientes estudados, 38,1% (n=2.107) estavam em terapia de controle de ritmo e 49,8% (n=2.754) estavam em terapia de controle da frequência
    • Os pacientes com FA em terapia de controle do ritmo tinham um risco de morte 28% mais baixo (HR 0,72, p=0,041) comparados com os pacientes em terapia de controle da frequência
    • Os pacientes em terapia de controle de ritmo eram mais jovens e tinham um grau de risco de AVC mais baixo
    • Os dois grupos diferiam em vários aspectos, portanto pode haver algumas variáveis residuais que podem causar confusão e afetar as descobertas
  • Perfil de risco geral mais alto para pacientes com FA que sofrem de doença arterial coronariana (DAC)
    • 19,3% (n=1.066) dos pacientes do estudo sofriam de DAC – estes pacientes eram mais velhos, com maior probabilidade de serem do sexo masculino e de receberem VKA em combinação com terapia com anti-plaquetas (AP) do que os pacientes sem DAC
    • Os pacientes com FA e com DAC corriam duas vezes mais o risco de CSA do que pacientes sem DAC (HR 2,49, p=0,016) mais um risco comparável de morte, AVC/ES e hemorragias
  • Taxa de uso mais baixa de VKA em pacientes com FA paroxística contra FA permanente apesar de um nível comparável de risco de AVC e embolia sistêmica
    • 24,4% (n=1.348) dos pacientes do estudo tinham FA paroxística contra 14,2% (n=785) com FA permanente
    • VKAs sozinhos, ou em combinação com AP, foram usados em 39,1% dos pacientes com FA paroxística e em 61,0% de pacientes com FA permanente
    • O risco de morte foi 38% mais baixo em pacientes com FA paroxística contra permanente (HR 0,62, p=0,057)
    • O risco de AVC/embolia sistêmica foi similar em ambos os grupos de pacientes (HR=1,18, p=0,72)
  • Risco mais baixo de AVC e uso menos frequente de anticoagulantes em pacientes com FA recém-diagnosticados da Ásia contra da Europa
    • 28,7% (n=1.587) dos pacientes foram inscritos na Ásia e 58,6% (n=3.237) na Europa
    • Os pacientes na Ásia tinham, em média, maior probabilidade de serem do sexo masculino, mais jovens, com massa corporal mais baixa e menos comorbidades do que os pacientes na Europa
    • Independentemente do nível de risco, o uso de VKA foi significativamente mais alto na Europa (61,4%) comparado com a Ásia (35,8%), destacando diferenças substanciais no uso das terapias disponíveis de prevenção de AVC
  • Uso menos frequente de VKAs entre os pacientes com FA nova contra permanente, apesar de uma taxa de morte e AVC similar entre os dois grupos
    • 44,8% (n=2.477) dos pacientes tinham FA nova contra 14,2% (n=785) com FA permanente
    • O uso de VKAs, sozinhos ou em combinação com PAs, foi mais baixo em pacientes com FA nova (52,1%) contra FA permanente (61,0%)
    • O risco de AVC/embolia sistêmica aumentou em 47% em pacientes com FA permanente contra FA nova, apesar de esta diferença não ter sido significativa estatisticamente (HR 1,47, p=0,36)
    • Os pacientes com FA nova eram ligeiramente mais novos
  • Subutilização de anticoagulantes entre uma considerável proporção de pacientes com FA submetidos a cardioversão de corrente direta (DCC+) – uma técnica para manter o coração em um ritmo sinusal normal – apesar das orientações que recomendam seu uso para a prevenção de AVC
    • Poucos pacientes – 11,1% (n=614) – no registro foram submetidos a DCC dentro de quatro meses do diagnóstico, mesmo apesar de terem sido recém dignosticados com FA
    • Os pacientes submetidos a DCC tinham mais probabilidade de receber terapia de KVA do que os pacientes não submetidos ao procedimento. Entretanto, 6,9% dos pacientes de DCC+ não receberam nenhuma terapia antitrombótica e 12,5% receberam somente AP
    • Os resultados de morte por qualquer causa, AVC/ES ou hemorragia em 1 ano não foram diferentes entre os grupos

Sobre o GARFIELD
O Registro GARFIELD é um estudo internacional, de observação, multicêntrico e prospectivo de homens e mulheres com FA recém-diagnosticada e um ou mais fatores de risco adicionais para o AVC. O estudo irá acompanhar prospectivamente 50.000 pacientes com FA recém-diagnosticada de pelo menos 1.000 centros em 50 países das Américas, Europa Oriental e Ocidental, Ásia, África e Austrália.

GARFIELD é o maior registro prospectivo de pacientes com FA com risco de AVC. O estudo procura descrever o fardo da doença na vida real e fornece perspectivas sobre o impacto de complicações tromboembólicas e sangramentos observados nesta população de pacientes. Ele fornecerá um melhor entendimento dos padrões de tratamento antitrombótico e oportunidades em potencial para melhorar os cuidados e resultados clínicos entre um grupo representativo e diverso de pacientes e populações distintas. Isto deverá ajudar os médicos e os sistemas de cuidados com a saúde a adotarem apropriadamente a inovação para assegurar os melhores resultados para os pacientes e as populações.

O registro teve início em dezembro de 2009. Quatro características principais do projeto do protocolo GARFIELD asseguram uma descrição completa e representativa da FA:

  • Cinco coortes sequenciais de pacientes prospectivos e recém-diagnosticados, facilitando as comparações de discretos períodos de tempo e descrevendo a evolução dos tratamentos e resultados.
  •  Locais dos investigadores que são selecionados aleatoriamente dentro de instituições nacionais de cuidados com a FA criteriosamente designadas, assegurando que a população de pacientes inscritos seja representativa.
  • Inscrição de pacientes elegíveis consecutivos independentemente da terapia para eliminar seleção tendenciosa em potencial.
  • Acompanhamento dos dados recolhidos por um mínimo de 2 até 8 anos após o diagnóstico, para criar uma base de dados completa das decisões sobre os tratamentos e os resultados na prática clínica diária.

Os pacientes incluídos foram diagnosticados com FA não-valvar dentro das últimas seis semanas e têm pelo menos um fator adicional de risco de AVC e, como tal, são candidatos à terapia anticoagulante para prevenir coágulos sanguíneos que possam levar a um AVC. Será deixado a cargo do julgamento clínico do investigador a identificação do fator ou fatores de risco de AVC do paciente. Os pacientes serão incluídos caso recebam ou não terapia anticoagulante para que as estratégias de tratamento, atuais e futuras, e falhas possam ser compreendidas adequadamente em relação aos perfis de risco e comorbidades dos pacientes.

Os dados serão coletados durante um período estendido de acompanhamento de até 8 anos, e incluirão os seguintes resultados: AVC tromboembólico; AIT ("mini-AVCs"); infarto do miocárdio(IM)/síndrome coronariana aguda (SCA); coágulos sanguíneos afetando outras áreas do corpo; eventos de sangramento; persistência da terapia; taxa de interrupção, consultas médicas e hospitalizações; necessidade de intervenções urgentes e eletivas; morbidade cardiovascular e mortalidade por qualquer causa.

Entre os pacientes tratados com antagonistas da vitamina K, os dados adicionais dos resultados irão incluir a frequência e tempo de monitoramento necessários para manter um nível seguro e terapeuticamente efetivo de anticoagulação e intervenções necessárias para controlar complicações devido à terapia anticoagulante.

O Registro GARFIELD está sendo viabilizado através de uma bolsa de pesquisa irrestrita da Bayer Pharma AG.

O fardo da FA
Cerca 2% da população global tem FA. Mais de 6 milhões de europeus sofrem desta arritmia, e estima-se que sua prevalência irá pelo menos dobrar até 2050, na medida em que a população envelhece. Cerca de 4,5 milhões de pessoas na União Europeia e 2,6 milhões de pessoas nos Estados Unidos sofrem de FA e as estimativas sugerem que até 2014 mais de 12 milhões de pessoas na região Ásia-Pacífico terão FA. (1,2,3,4) A FA confere um risco 5 vezes maior  de  AVC, e um em cada cinco AVCs é atribuído à esta arritmia. Os AVCs isquêmicos associados à FA são frequentemente fatais, e os pacientes que sobrevivem ficam mais frequentemente e mais gravemente incapazes por causa do AVC e mais propensos a sofrer uma recorrência do que os pacientes com outras causas de AVC. Consequentemente, o risco de morte de AVCs relacionados com FA é dobrado e o custo dos cuidados aumentam em 50%. (5) A condição ocorre quando partes dos átrios emitem sinais elétricos descoordenados que fazem com que as câmaras bombeiem sangue de maneira muito rápida e irregular, não permitindo desta forma que o sangue seja completamente bombeado para fora dos átrios. (6) Em consequência, o sangue poderá se acumular, formar um coágulo e provocar uma trombose, que é a principal causa de morte tanto nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento.

Se um coágulo sanguíneo sai do átrio esquerdo, terá o potencial de alojar-se numa artéria em outras partes do corpo, principalmente no cérebro. Um coágulo sanguíneo numa artéria do cérebro causa AVC. Noventa e dois por cento dos AVCs fatais são causados por tromboses. (7) As pessoas com FA têm alto risco de parada cardíaca, fadiga crônica e outros problemas de ritmo cardíaco. (8, 9)  O AVC é a principal causa de incapacidade de longo-prazo em todo o mundo -  a cada ano 5 milhões de vítimas de AVC ficam permanentemente incapacitadas. (10)

Sobre o Thrombosis Research Institute (TRI)

O TRI é uma fundação beneficente e um instituto de pesquisa multidisciplinar, dedicado ao estudo da trombose e doenças relacionadas. A missão do TRI é oferecer a excelência na pesquisa sobre a trombose e na educação, para desenvolver novas estratégias para a prevenção e tratamento da trombose e assim melhorar a qualidade dos cuidados, promover os resultados clínicos e reduzir os custos dos cuidados com a saúde. O TRI é membro do University College London Partners Academic Health Science System (Sistema de Ciência de Saúde Acadêmica dos Parceiros da University College London)

Para mais informações, visite o endereço http://www.tri-london.ac.uk/garfield.  

* HR = Hazard Ratio (Razão de Risco), que é uma medida da frequência do evento (por exemplo, morte) em um grupo contra um outro grupo.

(1) Jamil-Copley S, Kanagaratnam P.  Stroke in atrial fibrillation-hope on the horizon? J R SOC INTERFACE. 16/8/13. Disponível no endereço: http://rsif.royalsocietypublishing.org/content/7/Suppl_6/S765.full   (2) The Lancet Neurology. Stroke prevention: getting to the heart of the matter. 16/8/13. Disponível no endereço: http://www.atrialfibrillation.org.uk/files/file/Articles_Medical/Lancet%20Neurology-%20getting%20to%20the%20heart%20of%20the%20matter.pdf  
(3) Thrombosis Advisor. Thrombosis Facts. 16/8/13.   
(4) Chinese Medical Journal 2004; 117 (12): 1763-176. Disponível no endereço: http://dronedarone-atrial-fibrillation-pressoffice.com/sites/default/files/event-document/af_in_the_asia-pacific_region.pdf  
(5) European Society of Cardiology. Guidelines for the Management of Atrial Fibrillation. 16/8/13. http://eurheartj.oxfordjournals.org/content/early/2010/09/25/eurheartj.ehq278.full   
(6) National Heart Lung and Blood Institute. What is Atrial Fibrillation. 16/8/13. Disponível no endereço: http://www.nhlbi.nih.gov/health/dci/Diseases/af/af_what.html  
(7) Thrombosis Research Institute. About Thrombosis. 16/8/13. Disponível no endereço: http://www.tri-london.ac.uk/about.asp  
(8) Rockson SG, Albers GW. Comparing the guidelines: anticoagulation therapy to optimize stroke prevention in patients with atrial fibrillation. J Am Coll Cardiol 2004; 43(6):929-35. 
(9) American Heart Association. Why is AF a problem?. 16/8/13. Disponível no endereço: http://www.heart.org/HEARTORG/Conditions/Arrhythmia/AboutArrhythmia/Why-is-AF-a-Problem_UCM_423776_Article.jsp
(10) World Heart Foundation. The Global Burden of Stroke. 16/8/13. Disponível no endereço: http://www.world-heart-federation.org/cardiovascular-health/stroke/

FONTE  Thrombosis Research Institute

FONTE Thrombosis Research Institute

SOURCE Thrombosis Research Institute



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