O papel de Mario Garnero na construção do Brasil como Líder Mundial em Biocombustíveis

SÃO PAULO, 16 de fevereiro de 2012 /PRNewswire/ -- A revista eletrônica Downstream Today, um dos principais veículos de informação e análise do setor de energia em todo o mundo, publicou recentemente importante artigo sobre a trajetória de Mario Garnero, Presidente do Grupo Brasilinvest, na construção da liderança brasileira em biocombustíveis. Segue abaixo a matéria completa.

Pai do Etanol Brasileiro Vê Ganhos em Biocombustíveis

O Congresso Americano recentemente autorizou a expiração das tarifas de importação do etanol implantadas há mais de três décadas. O Brasil sempre foi um grande crítico dessas tarifas, que julga proteger os EUA da competição internacional. Nesse contexto, um pioneiro do setor de etanol no Brasil estima que o fim das tarifas promoverá um crescimento robusto do mercado de etanol nas Américas e em todo o mundo.

"Nós nos tornaremos um mercado de commodities," prevê Mario Garnero, Presidente do Brasilinvest, banco de negócios sediado em São Paulo, e o responsável pioneiro pelo rápido crescimento do setor do etanol nos anos 1980. "Se até pork bellies e outros produtos são tratados como commodities globais, por que não o etanol?"

Embora já se negociem contratos futuros de etanol em bolsas como a de Chicago e a Mercantil de Nova York, Garnero entende que o etanol ainda não é uma commodity global. Ele explica que a escala e o volume de transações, bem como o número de bolsas que negociam o etanol, têm de crescer bastante antes que status seja atingido.

"A padronização das especificações do produto e o modo como os contratos de etanol são elaborados – e algo mais próximo a um preço padrão para o frete marítimo do etanol – também seriam de grande ajuda para a expansão do comércio global do etanol", acrescenta Garnero. "Movimentos dessa natureza ajudariam a compensar a volatilidade de preços por conta das sazonalidades que cada país enfrenta na produção de etanol".

De aditivo a Alternativa

A Petrobras anunciou em 2006 que o Brasil havia atingido autossuficiência na produção de petróleo e gás. O anúncio marcou uma mudança profunda na situação energética do país desde os anos 1970. A elevada dependência brasileira do petróleo importado à época havia se tornado dolorosamente clara, pois o governo elevara o preço da gasolina e racionara a venda de combustíveis de modo a lidar com a precária situação de oferta.

Após o primeiro choque do petróleo em 1973, o governo brasileiro implantou um programa ambicioso de expansão do etanol como combustível automotor. Obtido a partir do cultivo da cana-de-açúcar, o etanol já vinha sendo misturado no abastecimento de combustíveis há algumas décadas. No âmbito do Programa Nacional do Álcool (conhecido como Pró-Álcool) instituído pelo governo em 1975, o Brasil tentaria, contudo, reduzir sua dependência da importação de petróleo mediante a substituição progressiva da gasolina pelo etanol nos veículos.

O governo brasileiro também promoveu ativamente a exploração e a produção nacional de petróleo como resposta aos choques do petróleo, ação que incrementou dramaticamente o destino energético do País. No entanto, o Pró-Álcool prenunciava uma mudança significativa na maneira pela qual os motoristas brasileiros abasteceriam seus automóveis.

No instante em que o Pró-Álcool entrou em vigor, o abastecimento de gasolina no Brasil continha menos de 10% de etanol na composição total - resultado de combinações progressivamente mais baixas implantadas nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Durante a Guerra, a proporção de gasolina para etanol em combustíveis alcançou aproximadamente 60:40 de modo a compensar as dificuldades no recebimento de petróleo importado.

O Pró-Álcool subsidiou a expansão da produção de etanol com incentivos fiscais para que os agricultores produzissem mais cana, a indústria automobilística produzisse veículos capazes de funcionar com etanol e mais biorrefinarias fossem construídas. Além disso, o governo financiou uma rede de distribuição de modo a oferecer aos motoristas fácil acesso às bombas de etanol.

O governo também estipulou uma porcentagem de mistura de etanol e gasolina que flutuou anualmente entre 10% e 22% ao longo de duas décadas. Na mesma medida foram estabelecidos controles que mantiveram os preços do etanol ao consumidor artificialmente baixos, o que permitiu um rápido crescimento na venda de veículos fabricados para rodar com 100% de etanol.

O crescimento dos veículos movidos a etanol surgiu a partir de uma proposta liderada por Garnero, que à época presidia a ANFAVEA, Associação Nacional de Veículos Automotores. Dentre os membros da ANFAVEA encontravam-se montadoras de classe mundial como GM, Mercedes-Benz e Volkswagen.

"Deparamo-nos com um mandato governamental: encontrem solução alternativa à gasolina ou vamos impor racionamento aos consumidores", lembra Garnero, que previa que o racionamento traria impactos marcadamente negativos aos resultados das montadoras no Brasil.

"Decidi convocar todos os presidentes do setor automotivo e propor uma solução que não fosse o racionamento: converter todos os motores a gasolina em motores movidos a etanol puro".

Garnero, que também era membro da Comissão Nacional de Energia no Brasil, órgão que supervisionava a implantação do Pró-Álcool, encontrava-se numa posição única para liderar a proposta do motor a álcool através de todos os meandros governamentais. Seu papel nesse processo lhe rendeu o título de "Pai do Etanol" no Brasil e no mundo.

Uma vez que os incentivos foram efetivados, as vendas de automóveis movidos a etanol tornaram-se claras. De acordo com números da UNICA– União da Indústria de Cana-de-Açúcar,apenas pouco mais de 2 mil veículos movidos a etanol foram vendidos no Brasil em 1979. No ano seguinte, o número pulou para cerca de 230 mil. Em 1983, já eram mais de meio milhão de unidades. No mesmo período, a venda de veículos a gasolina caiu de 820 mil para 70 mil. Nos anos 1990, a queda no preço internacional do petróleo e as dificuldades no abastecimento de etanol fizeram com que o governo brasileiro progressivamente relaxasse os subsídios e o controle de preços.

Automóveis do tipo "flex", movidos a etanol, gasolina ou uma mistura de ambos, tiveram comercialização de cerca de 40 mil unidades em 2003 no Brasil. Em 2008, foram mais de 2 milhões de unidades comercializadas. Hoje, a gasolina vendida no Brasil precisa conter 25% de etanol, e 4 em cada 5 veículos rodando nas estradas brasileiras são do tipo "flex-fuel".

Novos integrantes da equipe do etanol

Ainda que os EUA e o Brasil sejam os dois maiores produtores mundiais de etanol, Garnero observa que a produção de biocombustíveis está se espalhando por várias regiões tropicais e subtropicais capazes de permitir o cultivo da cana-de-açúcar. Ele menciona a China e a Tailândia como as próximas "mega-usinas" do etanol, além das Filipinas e da Malásia como coadjuvantes importantes. 

A região que Garnero considera como de maior potencial além do Brasil é a África. Ele mostra que a agricultura está passando por uma revolução no continente africano, cuja principal parte territorial localiza-se entre os trópicos. Garnero explica que a África oferece muitas das características apresentadas pelo Brasil: longo período de cultivo, com ampla incidência solar, além de solo e umidade favoráveis. Garnero prevê que a junção desse potencial endógeno com técnicas de processamento avançadas deve ocorrer ao longo dos próximos 20 anos e afirma que o desenvolvimento agrícola em toda a África deve ser crucial para elevar o etanol de cana-de-açúcar a novos patamares nos próximos 10 anos.

"Seremos importantes peças nesse tabuleiro", diz Garnero. "A África estará a caminho de uma agricultura renovável e eficiente na criação de empregos e riqueza".

A expectativa de Garnero é que o Brasil venha a desempenhar um papel importante na cooperação voltada ao estabelecimento de indústrias de etanol na África e em outras regiões mediante a ampliação de pesquisa & desenvolvimento. De fato, Garnero deseja que o Brasil se torne cada vez mais a fonte de conhecimento e tecnologia para projetos inovadores de etanol em todo o mundo.

Disseminando a mensagem dos biocombustíveis

O "Pai do Etanol" não tergiversa quando o assunto é promover globalmente o etanol mediante seu papel de líder pioneiro. Em 2012 ele comanda eventos de grande visibilidade e repercussão no campo das energias renováveis. Presidirá conferências sobre economia verde na China e nos EUA, bem como simpósios associados à Cúpula Rio+20 da ONU. Garnero terá assim numerosos palcos para expor sua visão quanto ao papel do Brasil no futuro dos biocombustíveis.

"O Brasil ocupa hoje o segundo lugar atrás dos EUA, mas temos uma capacidade de chegar a 80 milhões de metros cúbicos contra os 40 milhões que os EUA produzem hoje", afirma Garnero.

Garnero também indica que apenas 1,5% das terras passíveis de cultivo de cana-de-açúcar hoje no Brasil são utilizadas. Apesar dos EUA produzirem cinco vezes mais etanol que o Brasil, ele argumenta que o fato do Brasil ter evitado a contraposição entre alimentos e combustíveis, com ênfase na cana-de-açúcar e não no milho, é de grande atratividade para os mercados emergentes. 

Além disso, o empresário também vislumbra oportunidades para a produção do etanol de cana nos EUA. Ele aponta para a região da Costa do Golfo, que tem uma longa história de cultivo de cana-de-açúcar da Flórida até o Texas. 

"À medida que o Brasil desenvolver tecnologias de segunda e terceira gerações voltadas ao etanol, o bagaço também poderá ser crescentemente utilizado". Garnero estima que a produção brasileira de etanol nesse caso poderia dobrar mesmo sem a utilização de novas áreas de cultivo.

"Acho que a experiência brasileira com o etanol mostra que quando não se colocam alimentos competindo com biocombustíveis, obtém-se uma extraordinária fonte de energia", conclui Garnero. "Desde o início, nunca pensamos nos biocombustíveis como substitutos do petróleo. Ao contrário, os biocombustíveis podem ocupar entre 10 a 20% da participação da matriz energética representada pelo petróleo. E isto já perfaz uma grande contribuição para o enfrentamento do tema da poluição e do aumento da produtividade da agricultura no Brasil".

CONTATO:
Anamélia Meirelles
forumamericas@forumamericas.org.br
T: 55-11-3094-7984

FONTE  Fórum das Américas

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